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Confissões
Publicado por Paulo Queiroz em Diversos |
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Se há exceção, não o sei, francamente.
Mas confesso que em todos os casos em que atuei,
Seja como advogado, seja como procurador, seja como curioso,
Jamais vi os estupradores, os assassinos, os monstros
Que tanto temi e odiei.
Quer olhando-os fundamente, quer observando a própria vítima, em cujo semblante vi, não raro, estampado justo ódio,
Vi sempre, nos olhos,
Nas lágrimas que corriam,
Na angústia e no sofrimento,
Nas ações, boas ou más,
Vi sempre o Homem,
- a melhor e a pior coisa que Deus já criou -
Capaz de gestos grandes e pequenos,
Mas gestos humanos sempre.
Se criminosos e monstros há,
Não os encontro, por mais que os procure
E quando os encontrar, se os encontrar,
Talvez encontre a mim mesmo.
Criados à imagem e à semelhança do Homem
- e, pois, do próprio Criador -
Neles encontro sempre projeção de humanidade.
Talvez nisso resida o grande problema do “sistema penal” – como de resto em todo “sistema”: são “sistemas”, carentes de humanidade.
Quanto menos o Homem compreende o próprio Homem, mais se desumaniza;
Quanto mais o compreende, mais se concilia com ele mesmo e com o Criador;
Porque aos olhos de Deus, o Homem cresce não é pela capacidade de alimentar preconceitos, de separar, de dividir, de castigar,
Mas de compreender, de perdoar, de amar!
(PAULO QUEIROZ, em 20/11/2001, durante audiência criminal).
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Paulo de Souza Queiroz: doutor em Direito (PUC/SP), é Procurador Regional da República, Professor do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB) e autor do livro Direito Penal, parte geral, S. Paulo, Saraiva, 3ª edição, 2006.