Religião é mitologia com outro nome; todo discurso religioso é um discurso mitológico, mas nem todo discurso mitológico é um discurso religioso.
O mundo está repleto de mitos de origem e todos são falsos do ponto de vista dos fatos (…). O primeiro passo para uma leitura do Antigo Testamento é considerá-lo como um produto igual […]
Não é a interpretação que depende do direito, mas o direito que depende da interpretação.
O direito não preexiste à interpretação, mas é dela resultado.
A interpretação é o ser do direito e o ser do direito é um devir.
O sentido das coisas (textos, provas, fatos etc.) não é dado pelas próprias coisas, mas por nós, ao […]
Montaigne falava de fato, são suas palavras, de um “fundamento místico” da autoridade das leis: “Ora, as leis se mantêm em crédito, não porque elas são justas, mas porque são leis. É o fundamento místico de sua autoridade, elas não têm outro […]. Quem a elas obedece porque são justas não lhes obedece justamente pelo […]
O conhecimento filosófico deve ser, antes de tudo, capaz de surpreender-se com o óbvio;
O homem não pode ser concebido com um ser imutável, encarnando reiteradamente aquelas formas de ser. Longe disso, a essência do homem é mutação: o homem não pode permanecer como é;
Tudo que sabemos do homem, tudo que cada um dos homens sabe […]
Li um texto e ele me disse algo.
Mostrei-o a um amigo, e a ele o texto disse coisa diversa.
A uma terceira pessoa, o texto disse algo que não dissera a nenhum de nós.
A uma quarta, o texto emudeceu.
Voltei a lê-lo muito tempo depois e o texto me disse algo completamente novo.
Tenho agora a impressão de […]
Que todos os “fins”, “metas”, “sentidos” são só modos de expressão e metamorfoses da única vontade, que é inerente a todo acontecer: a vontade de poder;
Prazer e dor não são inversos em nada;
Não há dor em si. Não é o ferimento que dói; é a experiência das más consequências que pode ter um ferimento para […]
O pensar racional é um interpretar segundo um esquema que não podemos recusar;
O mundo aparece-nos como lógico porque nós, antes, o tornamos lógico; conhecimento e devir excluem-se;
Posto que tudo é devir, então o conhecimento só é possível tendo como fundamento a crença no ser;
O princípio (da contradição) não contém, portanto, nenhum critério de verdade, mas […]
Direito, justiça, verdade, mentira etc. são (apenas) palavras por meio das quais nossos sentidos respondem aos estímulos, afinal uma palavra é uma reprodução de um impulso nervoso em som.1 Quando, por exemplo, o movimento que os nervos recebem dos objetos representados pelos olhos contribui para uma boa disposição do corpo, os objetos que causam tal […]
Todos os preconceitos que aqui me proponho a expor dependem de um único, a saber, que os homens pressupõem, em geral, que todos as coisas naturais agem, tal como eles próprios, em função de um fim, chegando até mesmo a dar como assentado que o próprio Deus dirige todas as coisas tendo em vista um […]
Não é a história que pertence a nós, mas nós que pertencemos à história. Muito mais do que nós compreendemos a nós mesmos na reflexão, já estamos compreendendo de uma maneira auto-evidente na família, na sociedade e no Estado em que vivemos. A lente da subjetividade é um espelho deformante. A auto-reflexão do indivíduo não […]
As palavras não passam de símbolos para as relações das coisas entre si e conosco;
Pelas palavras e pelos conceitos, nunca atravessaremos o muro das relações, nem penetraremos em qualquer origem fabulosa das coisas;
É absolutamente impossível ao sujeito pretender ver ou conhecer algo além de si mesmo;
O desprezo pelo presente e pelo momentâneo é parte integrante […]
Se pensarmos bem, nos daremos conta de que os juristas (profissionais do direito) pertencem a uma classe particular de contadores de histórias, afinal, juízes, promotores e advogados não fazem outra coisa senão contar suas próprias histórias a partir de outras tantas. Uns contam tragédias, outros, comédias; uns preferem o conto; outros, a novela ou o […]
Quem adora o Cristo, o cristão, não acredita no que vê. Ele acredita no contrário do que está à vista. Ele não sente propriamente compaixão pela desgraça do crucificado, mas satisfação profunda pela salvação de si mesmo. Ele não está muito infeliz por contemplar a maldade humana de modo extremado numa crucificação; ele está, isto […]